domingo, 10 de março de 2019

 

 Oração do Dia 14 de Março


Maria, Mãe de Deus, rogai por nós
Ainda somos pecadores
Rainha, Mãe de misericórdia, a dor é atroz
Impingimos às chagas flores
Eia, pois, advogada nossa:
Lances sobre nós olhos de misericórdia
Limpes o sangue de Eva aspergido na face de Caim
Ensines amor e respeito aos filhos da terra tupiniquim

Piedosa, ó doce! Somente virgem a aceitamos, Maria
Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, pois assim não somos dignos
Endeusamos o fruto. Esquecemos o ventre
Salves, Rainha, os filhos dessa varonil aporia
Encharcados estão em um vale de lágrimas e sangue
Não sabem que bendita sóis vós, mulher
Testemunhes a agonia das filhas de Eva
Ensines amor e respeito aos homens da terra tupiniquim

terça-feira, 21 de março de 2017



Devaneios da Madrugada


És bela inspiração
que, embora sempre desejada,
encontra-me de sobressalto
em solitárias madrugadas,
trazendo calor à m'alma.


Lábio vermelho
e voluptuoso conhecedor
dos meus desejos mais íntimos.
Mesmo agora,
posso ouvi-la sussurrar o inaudível,
e minha pele arrepia
ante a promessa do seu beijo.

Santa sem altar ou religiosa beatitude,
foste capaz de transformar em carne
coração petrificado
pelas agruras da vida.
Fizeste o milagre de oferecer caminho
a andarilho perdido, pobre e tolo,
que deseja voltar para um lugar que nunca conheceu.

Logo pela manhã,
sento-me à mesa,
com lápis e papel
ao alcance da mão,
mas não consigo encontrá-la…
Por isso, mesmo tão cedo,
já anseio pelo levantar das estrelas
e pela lua no centro do céu.

Pois desejo vê-la de novo,
Poesia,
nesse nosso mundo secreto,
morada dos loucos
e dos apaixonados
– entre o limiar da realidade
e o oceano do sono mais profundo –,
paraíso cujo portal se abre, sem aviso,
nas solitárias madrugadas do poeta.

Sinto sua falta,
Poesia,
mesmo sem nunca tê-la tocado…

terça-feira, 4 de março de 2014

Joana





  Joana entra no apartamento, fecha a porta e liga o som. Busca, na música, a oportunidade de chorar ou sorrir em compasso, amar em cadência.
  Vai pro quarto, pega o livro e cai na cama. Busca, no soneto, a métrica que não encontra na vida, a coerência que não encontra no amor.
  O guarda-roupa, a cômoda, a cama e a vida consubstanciados numa bagunça só. O tratado filosófico, o espelho e a janela mostram realidades conflitantes. O mundo está vivo; o filósofo, morto.
  Do quarto, Joana não consegue compreender a mensagem escrita na calçada. Sem medo, sem hesitação, os pés descalços correm pro elevador. Lá fora, no concreto seco pelo tempo, a última palavra do último verso de um poema de amor:

                                                                                                                                                       “Viva”.

Música






O que há de tão formidável na música?
Ora, simples: ela nos permite sorrir ou chorar em compasso.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Um Lugar Qualquer






Tijolo-massa-tijolo,
mãos firmes erguem
sonhos imobiliários
– precisam pagar o aluguel
de um barraco
em São Sebastião.
Existe tanta contradição
sob o céu do cerrado...

O direito está no papel;
a agonia, na fila;
a fome, na barriga;
o corpo, no relento;
e a esperança de justiça,
em fichários empilhados
numa sala escura.

É fim de tarde.
E no coração do país,
enquanto o sol se põe
num horizonte
sem perspectivas,
o ônibus fantasma desce
a Esplanada dos Ministérios;
corre em direção ao Nada.