
Tijolo-massa-tijolo,
mãos firmes erguem
sonhos imobiliários
– precisam pagar o aluguel
de um barraco
em São Sebastião.
Existe tanta contradição
sob o céu do cerrado...
O direito está no papel;
a agonia, na fila;
a fome, na barriga;
o corpo, no relento;
e a esperança de justiça,
em fichários empilhados
numa sala escura.
É fim de tarde.
E no coração do país,
enquanto o sol se põe
num horizonte
sem perspectivas,
o ônibus fantasma desce
a Esplanada dos Ministérios;
corre em direção ao Nada.
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